A sensação do tempo escapou-me pelos desvãos das telas que nos interligam. Muitas vezes, cá estive, e minhas mãos emudeceram. A paralisia momentânea tem lá suas razões.
Hoje, lembrei do Zézim de CFA. Não estou perto do mar, respirando a maresia e carimbando pegadas nas areias de um litoral. Caminho pelo deserto do quadrado deste quarto, numa tarde cinza, sobre um lençol rosa (acredite!). Alinhavo palavras soltas, feito pipas que liberto pela janela do meu olhar.
Penso tanto em ti, na cumplicidade implícita que envolve os seres que habitam o universo e nos laços invisíveis que enfeitam a solidão e desamparo diário. Converso intimamente com sua alma... que sinto tua mão tocando a minha, num gesto de misericórdia secreta.
Nos momentos de desespero, apareceu outra mão. Sem nome e existência corpórea. Uma vez só e nunca mais. Penso que foste tu, doce irmã. Penso, porque preciso aproximar o divino ao humano, de tal forma, que muitas vezes a minha vida poderá estar, neste momento, nas mãos de quem não soube o que fazer com ela, ou tão pouco, saberá escutar o coração que pulsa nela. Eu penso, que penso, mas muitas vezes sinto, que assim fôra.
Ainda deste modo, escrevo-te. Porque deste deserto quadrado, da miséria humana, ainda existe algo divino que insiste em sobreviver em nome de alguma coisa que chamamos de: Amor.
Beijos a pequena (?) Bé. Lembranças ao cunhado.
A voce, um pedaço do meu pão que também é teu.
Com saudade.