terça-feira, 8 de março de 2011

O nascimento do Azul Turquesa.


- Porque não escolheste ser o Azul, porque?

 Perguntou o Azul , atordoado pela idéia da mortalidade do Verde.

Num gesto de ternura, o olhar Verde atingiu o Azul e respondeu:

- Porque eu, o Verde, sou o Azul que quis ser.

Ser-vivo.



A casa amarela.


Não espero de mim
nada além das flores
que prometi aos meus quintais.

Pela manhã, ao fechar a porta,
semeio ao vento o que exala
meu olhar.

Quando retorno, abro as porteiras
liberto pássaros, raízes e lembranças
que compõem e solidificam o alicerce deste lugar.

Na soleira de uma porta fechada,
acaricio um cão que ao meu lado costuma ficar
a aquecer meus pés.

Ao anoitecer, cubro os meus olhos 
com o manto da saudade
e divido com este cão
o calor do corpo que respira
nas floreiras da janela.

A vida adormece, feito o cão.
Os canteiros teimam em viver.
Acreditando na casa amarela,
abandono a grande mentira dos homens.

Para a irmã que não tive.




Querida irmã,

A sensação do tempo escapou-me pelos desvãos das telas que nos interligam. Muitas vezes, cá estive, e minhas mãos emudeceram. A paralisia momentânea tem lá suas razões.

Hoje, lembrei do Zézim de CFA. Não estou perto do mar, respirando a maresia e carimbando pegadas nas areias de um litoral. Caminho pelo deserto do quadrado deste quarto, numa tarde cinza, sobre um lençol rosa (acredite!). Alinhavo palavras soltas, feito pipas que liberto pela janela do meu olhar.

Penso tanto em ti, na cumplicidade implícita que envolve os seres que habitam o universo e nos laços invisíveis que enfeitam a solidão e desamparo diário. Converso intimamente com sua alma... que sinto tua mão tocando a minha, num gesto de misericórdia secreta. 

Nos momentos de desespero, apareceu outra mão. Sem nome e existência corpórea. Uma vez só e nunca mais. Penso que foste tu, doce irmã. Penso, porque preciso aproximar o divino ao humano, de tal forma, que muitas vezes a minha vida poderá estar, neste momento, nas mãos de quem não soube o que fazer com ela, ou tão pouco, saberá escutar o coração que pulsa nela. Eu penso, que penso, mas muitas vezes sinto, que assim fôra. 

Ainda deste modo, escrevo-te. Porque deste deserto quadrado, da miséria humana, ainda existe algo divino que insiste em sobreviver em nome de alguma coisa que chamamos de: Amor.

Beijos a pequena (?) Bé. Lembranças ao cunhado. 

A voce, um pedaço do meu pão que também é teu.

Com saudade.

sábado, 5 de março de 2011




Algo de miraculoso arde nela, fronteiras ela molda aos nossos olhos.
É a única que continua a me falar depois que todo o resto 
tem medo de estar perto.
Depois que o último amigo tiver desviado o seu olhar 
ela ainda estará comigo no meu túmulo, 
como se fosse o canto do primeiro trovão, 
ou como se todas as flores explodissem em versos. 

Anna Akhmátova 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Das exposições.


Para ver as minhas cicatrizes e ouvir meu coração é preciso pagar ingresso. Nada disso é uma comemoração.


Efraim Reyes