sexta-feira, 13 de agosto de 2010
O estanho da louça.
Sua caneca lascou, amor.
Bem na borda, onde eu levo à boca.
É a demora, o nunca.
Também tacaram fogo no meu campo de trigo capim.
Está tudo tão cinza, cinzas...
É a pressa, que devora.
Eu sei, é tão pouco.
Mas era teu, só teu.
E tudo acaba.
Amor.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Drummondiana
Num suspiro tímido, guardo nos quintais de mim as histórias que não vivenciei por circunstâncias além dos limites de meus territórios secretos. A sensação é que tudo aqui é mais bonito e faz todo o sentido.
Nos campos que me habitam, colhemos flores e depositamos em formigueiros. Observamos em silêncio a procissão à caminho do esconderijo nas sarças de capim. Feito mágica, elas desaparecem e nossos olhos se encontram, sorriem.
Levantamo-nos em direção às borboletas sobrevoando as nuvens que podem ser tocadas com os pés. Caminhamos decalços e já não me importo com o vento que esvoaça meu vestido e cílios, carregando-nos pelos cabelos em direção ao infinito.
No varal, penduramos todo tipo de adereço até descobrir onde está a outra ponta. Quando nos damos conta, percorremos um caminho que nunca existiu e que nos leva ao pôr de sol no meio dos seios de uma montanha.
Adormecidos, os dedos se entrelaçam e os corpos se unificam. Respiramos os mesmos sonhos e enfeitamos nosso encontro com botões delicados de não-te-esqueças-de-mim.
Nosso jardim, nosso jardim... que de tanto plantar, já não me interessa sair daqui. E tudo que me brota ainda é vivo e belo. E tudo que colho é apenas o que acredito. Acato o que o Diabo me mandou e agradeço o que Deus me reservou; amar e calar.
Me deixe aqui e estarei em paz.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Hoje não tem poesia.
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno, o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se ha neve cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.
( Sérgio Natureza e Tunai )
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno, o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se ha neve cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.
( Sérgio Natureza e Tunai )
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Pássara
No inverno carrega a lenha
Suspira o fogo e adormece trêmula
Delira primavera
De galhos frágeis.
No mais breve pousar
O pássaro voa e o graveto cai.
Forma-se o ninho, daqueles passarinhos,
estéreis de céu.
O bico pia o silêncio
Das aladas lembranças
Permanece suspenso
O aroma da flor natimorta.
O vôo inerte
O caminhar errante.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Desejo de um.
Hoje me deu vontade de dois:
Duas canecas de café.
Brotou subtamente um desejo de dividir o café, o gole, o fumaçar.
Lá no meu armário estão unidas num apelo prosaico:
- Venha, seja lá quem voce for!
E meus olhos sugerem o de sempre:
"Nunca mais", Poe.
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