sexta-feira, 25 de junho de 2010

Pássara


No inverno carrega a lenha

Suspira o fogo e adormece trêmula

Delira primavera

De galhos frágeis.



No mais breve pousar

O pássaro voa e o graveto cai.

Forma-se o ninho, daqueles passarinhos,
estéreis de céu.



O bico pia o silêncio

Das aladas lembranças

Permanece suspenso

O aroma da flor natimorta.



O vôo inerte

O caminhar errante.









quarta-feira, 5 de maio de 2010

Desejo de um.


Hoje me deu vontade de dois:

Duas canecas de café.

Brotou subtamente um desejo de dividir o café, o gole, o fumaçar.

Lá no meu armário estão unidas num apelo prosaico:

- Venha, seja lá quem voce for!

E meus olhos sugerem o de sempre:

"Nunca mais", Poe.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Egrégora

Nos caminhos que faço há um campo.
Um terreno baldio, não sei mais.
Pela manhã de hoje, no sol nascente,
encontrei um campo-terreno-baldio.
Transformado pela alquimia dos capins dourados.
A brisa leve ondulava a maré sinuosa e suave.
...
Pausa.
...
Musicado capim dourado,
na minúscula fração de segundo,
há um campo dourado repleto de trigo capim.
A luz difusa me diz:
- Não és a raposa, nem tão pouco o príncipe.
  És o trigo, o pão teu de cada dia.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Apelo

Alegra-me a tempestade anunciada
Trombetas e raios iluminam o céu
Galopando em nuvens atômicas
Revestida de cinza-chumbo
Conduzida pelos ventos selvagens, desaba
Olhos atentos pra dentro
Aos primeiros tiros/pingos perfurantes
Peito aberto,  já não morro.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

[ silver endoidecido ]

Tem um clarão me chamando na janela...
Raios sedosos, pele e maciez
Pêlos eriçados, saliências aguçadas
Notívaga olho, condenada obedeço
O prata  me suga
O cobre me encorpa
A força telúrica me encandesce
Cintilantes formigar, nave adrenalina
Quebro vidraças, corto veias
Jorro pura luz...E brilho no céu.
D'A lua
                                                                        
[ silver desfalecido ]