sábado, 12 de março de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
In
"Ela gostava tanto dessas palavras começadas por
in – invisível, inviolável, incompreensível -,
que querem dizer o contrário do que deveriam.
Ela própria era inteiro o oposto do que deveria ser.
A tal ponto que, quando a percebia intratável,
para usar uma palavra que ela gostaria,
suspeitava-a ao contrário: molhada de carinho.
Pensava às vezes em tratá-la dessa forma, pelo avesso,
para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi.
E, agora que se foi, é tarde demais para tentar requintadas harmonias."
CFA
terça-feira, 8 de março de 2011
O nascimento do Azul Turquesa.
- Porque não escolheste ser o Azul, porque?
Perguntou o Azul , atordoado pela idéia da mortalidade do Verde.
Num gesto de ternura, o olhar Verde atingiu o Azul e respondeu:
- Porque eu, o Verde, sou o Azul que quis ser.
Ser-vivo.
A casa amarela.
Não espero de mim
nada além das flores
que prometi aos meus quintais.
Pela manhã, ao fechar a porta,
semeio ao vento o que exala
meu olhar.
Quando retorno, abro as porteiras
liberto pássaros, raízes e lembranças
que compõem e solidificam o alicerce deste lugar.
Na soleira de uma porta fechada,
acaricio um cão que ao meu lado costuma ficar
a aquecer meus pés.
Ao anoitecer, cubro os meus olhos
com o manto da saudade
e divido com este cão
o calor do corpo que respira
nas floreiras da janela.
A vida adormece, feito o cão.
Os canteiros teimam em viver.
Acreditando na casa amarela,
abandono a grande mentira dos homens.
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